AMAZON X JOÃO DORIA: Entenda a disputa

Amazon crítica a “cidade cinza” de Doria e o resultado da disputa se reflete no consumidor e em solidariedade (ou oportunismo?).

No dia 27 de março, a Amazon divulgou seu primeiro comercial brasileiro com a #MovidosPorHistórias.

Para quem assistiu ao vídeo da propaganda, reconhece logo uma provocação à “cidade cinza” de João Doria (PSDB), atual prefeito de SP, que em janeiro deste ano começou uma ação de “limpeza” das vias urbanas paulistas, com a campanha “Cidade Linda”.

A ação incluiu também a pintura de paredes com grafites nos espaços urbanos e a prisão de pichadores. Como ato simbólico, Doria participou da ação, vestindo o mesmo uniforme dos encarregados da tarefa. Veja aqui.

Aproveitando o resultado monocromático da cidade, a Amazon lançou uma promoção de seus e-readers Kindle e de e-books no site, remetendo-se a tela do Kindle, já que a versões mais baratas do aparelho Kindle exibem as folhas e as capas dos livros em tons de cinza e preto e branco.

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Em resposta a provocação, no dia 28 de março, Doria pediu que a Amazon fizesse doação de livros e de computadores para a prefeitura de São Paulo e afirmou que a postura da empresa é oportunista em vídeo resposta publicado em seu perfil no Facebook.

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Para não deixar passar em branco, a Amazon afirmou que vai doar aparelhos Kindle para instituições de educação e cultura de São Paulo. E sem deixar o consumidor de fora, a Amazon lançou uma lista de e-books gratuitos para que o leitor possa escolher um para baixar no aplicativo da loja Kindle.

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Além da Amazon, a Kabum! também ofereceu computadores e tablets para o prefeito, via twitter.

Diante dessa disputa, não consegui afirmar nessa situação quem é o oportunista da história, se as empresas, que tendem a lucrar quando sob os holofotes de uma polêmica que as favorecem; ou o prefeito, que aproveitou o ensejo para pedir apoio, mesmo que de forma irônica e conseguiu. No mais, me interessa bastante o fato de que a rede municipal de São Paulo receberá doações para bibliotecas e instituições envolvidas com a educação e a cultura não só pela Amazon, ainda que as paredes continuem cinza.

Autora: Suellen Lima. Formada em Letras é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Estudante de Jornalismo. Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !

As redes sociais atrapalham a sua leitura? | Vivências Literárias

Antes de responder essa pergunta, conte quantos dispositivos móveis você tem ao seu redor, e não esqueça de incluir o computador e a televisão que você assiste de vez em quando. Contou? É…pois é. Aqui em casa tenho (vamos lá): 1 smartphone; 1 notebook; 1 tablet (que substitui por um Kindle). Além da tevê.

Até aí tudo bem. O problema começa quando se conta quanto tempo é gasto em redes sociais ou meios virtuais (facebook, twitter, whats, instagram, snapchat, e-mail…) e em serviços de stream de jogos, de filmes e séries também.

Junte tudo isso com o tempo que você gasta no trabalho, atendendo telefonemas ou na frente do pc; com o tempo no supermercado, nas filas da vida. Ah, você faz atividade física? Acrescenta aí. Faz faculdade também? É mãe, é pai? Eita!

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Fica difícil depois de um dia cheio sentar em uma cadeira e ler um livro por uma hora sem interrupções, não é? Justamente porque a culpa não está nas redes sociais, no netflix ou na TV, nem no seu trabalho ou nos seus estudos, que estão te roubando desse prazer imenso que é ler. Seus filhos (pasmem!) também não são culpados por te afastarem para sempre dos livros.

De quem é a culpa?

Antes de sair apontando o dedo… é bom sabermos que alguns fatores estão contribuindo para despedirmos a literatura do nosso cotidiano. A atenção que dispensamos para atividades de concentração, que exigem uma postura serena, de compenetração e calma está cada vez menor. Falta paciência e geralmente estamos muito pilhados ou estressados para isso, já que associamos essa diminuição de ritmo ao sono.

Um outro fator interessante é que associamos a leitura de textos não informativos a algo inútil. Sempre pensamos: “Não tenho tempo para isso!” por mais que o propósito de se ler seja variado – divertimento, terapia, prazer, etc. A verdade é que as prioridades mudam quando as atividades estão relacionadas à saúde mental.

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Por trás dessa expressão de não se ter tempo estão valores muito difíceis de serem driblados. Nos acostumamos à rapidez, à necessidade, à utilidade, à produção, à eficiência, à praticidade… Fomos, enfim, afeiçoados a resolução de problemas e, muitas vezes, parece que viver se reduz a resolver situações complicadas e receber recompensas. Aparentemente, tudo que está fora desse padrão não merece dedicação, porque não tem “troco”; no máximo, serve para se glorificar, dizer que tem ou que leu, que conhece, que comprou…

Por conta desses valores que interiorizamos tanto, gerir o nosso tempo ficou mil vezes pior. Ainda assim, diante de tantas coisas para se fazer, conseguimos ficar entediados! Infelizmente, não tenho a resposta para o tédio.

O que quero sinalizar aqui é que para se ler mais e melhor não precisamos demonizar a internet e tudo o que ela nos oferece, mas precisamos perceber que os valores e as crenças associados à “pressa de se fazer ou se ter algo” são nefastos se forem exclusivos e se eles também estiverem permeando nossas leituras e nossas atividades estéticas tanto de criação como de apreciação.

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A dica que pode dar certo, mas que ainda não testei, é a de separar um tempo na semana para cada coisa, sem que elas atrapalhem umas às outras ou virem uma obrigação opressora. Por isso, não precisamos de maratonas de leituras, nem de listas quilométricas de livros, de filmes, de HQ, de séries e nem de ler três ou mais livros ao mesmo tempo. Nada disso!

A prioridade dessa prática é a valorização da experiência e da vivência de cada momento no seu devido tempo, ou seja, atribuir sentido e significado ao que você faz com o seu tempo de vida.

Então é isso, relaxa, respira e abra a primeira página…


13669841_1065479670210774_2813423822097175427_nAutora: Suellen Lima. Formada em Letras, é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !

Lidos de 2016! | RetrôBooks

O ano está quase acabando e achei importante fazer um balanço das minhas leituras de 2016 para ajudar a planejar 2017! Nem todos os livros da lista tem resenha aqui no blog, mas se quiserem… é só pedir! Indicações de 2017? Manda aí! Comprando pelos links da Amazon, você ajuda o Blog a continuar existindo. Feliz Natal hohoho

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1. Drácula – Bram Stoker

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Um pavoroso embate entre bem e mal que seduz milhares de leitores há mais de um século. Fonte de inúmeras adaptações para telas e palco, inspiração para músicos, escritores e artistas de todas as áreas, Drácula é um ícone incontestável e obra-máxima de Bram Stoker. De um lado o conde Drácula – o mais famoso vampiro da literatura – e sua legião crescente de mortos-vivos. De outro, um grupo unido e decidido a caçá-lo: Jonathan e Mina Harker, o médico holandês Van Helsing e seus amigos. Romance epistolar ágil e bem-construído, esse livro enredará também você nessa dramática corrida contra o tempo. Essa edição traz o texto integral de Bram Stoker, centenas de notas, apresentação e cronologia de vida e obra do autor, tudo isso no padrão de qualidade dos Clássicos Zahar. A versão impressa apresenta capa dura e acabamento de luxo.

2. O Velho e o Mar – Ernest Hemingway

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Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que prende o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea.

Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

3. Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

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Protagonista e narradora de Hibisco roxo , a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país.

Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

4. As Três Marias – Rachel de Queiroz

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Em seu quarto romance, As três Marias, a escritora cearense Rachel de Queiroz foi ainda mais fundo em um tema que já estava presente em todas as suas obras anteriores: o papel da mulher na sociedade. A história tem início nos pátios e salas de aula de um colégio interno dirigido por freiras: Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José são amigas inseparáveis que ganham de seus colegas e professores o apelido de “as três Marias”. À noite, deitadas na grama e olhando para o céu, as meninas se reconhecem na constelação com a qual dividem o nome. A estrela de cima é Maria da Glória, resplandecente e próxima. Maria José se identifica com a da outra ponta, pequenina e trêmula. A do meio, serena e de luz azulada, é Maria Augusta – ou simplesmente Guta, como sempre preferiu ser chamada

5. Quarenta Dias – Maria Valéria Rezende

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Quarenta dias no deserto, quarenta anos. É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de ‘Quarenta dias’, romance de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar para Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade. ‘Eu não contava mais horas nem dias’, escreve Alice em ‘Quarenta dias’, um relato emocionante e profundo. ‘Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (…)’. Onde andaria o filho de Socorro? A que bando estranho se havia juntado, em que praça ficara esquecido?

 6. As Meninas – Lygia Fagundes Telles 

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Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso.

As meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.

Obra de grande coragem na época de seu lançamento (1973), por descrever uma sessão de tortura numa época em que o assunto era rigorosamente proibido, As meninas acabou por se tornar, ao longo do tempo, um dos livros mais aplaudidos pela crítica e também um dos mais populares entre os leitores da autora.

7. Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

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Passados quase 150 anos da publicação original, a clássica história de uma menina chamada Alice, que entra em uma toca atrás de um coelho e cai em um mundo de fantasia, continua popular.

Essa charmosa edição de bolso com ilustrações originais de John Tenniel, reúne Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho e o que Alice encontrou por lá.

8. Dom Casmurro – Machado de Assis

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Obra clássica do Realismo brasileiro e uma das mais famosas de Machado “Ainda hoje. mais de um século depois do surgimento do livro. leitores e críticos se debruçam sobre suas páginas na tentativa de encontrar pistas que lancem luz sobre o insolúvel ‘enigma de Capitu’.” Carlos Newton Júnior “É possivelmente o texto mais bem-acabado de nossa língua.” Carlos Sepúlveda Dom Casmurro é o romance mais estudado. comentado e discutido de Machado de Assis – o que significa dizer um dos mais estudados da nossa literatura. Publicado originalmente em 1899. o livro conta a história de Bentinho e Capitu. desde o namoro infantil até o casamento atormentado pelo ciúme e pela dúvida que virou polêmica literária: Capitu traiu o marido com o melhor amigo dele. Escobar? Os fatos são narrados por Bentinho. que relembra. já velho. episódios de sua vida.

9. Turismo para Cegos – Tércia Montenegro

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A vida de Laila está prestes a se esfacelar. Jovem aluna de artes plásticas, ela tem os planos interrompidos por uma doença degenerativa e incurável que vai lhe custar a visão. Conforme a cegueira avança, tarefas corriqueiras tornam-se desafios e tudo o que lhe era familiar precisa ser explorado e redescoberto. Assim, também há algo de novo no envolvimento com Pierre, um funcionário público aparentemente inexpressivo que irá cuidar de Laila com dedicação.

10. Olhai os Lírios do Campo – Erico Verissimo

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Primeiro best-seller de Erico Verissimo, Olhai os lírios do campo representou uma guinada na carreira literária do escritor. Várias edições se esgotaram em poucos meses. Segundo Erico, o sucesso foi tão grande que “teve a força de arrastar consigo os romances” que publicara antes em modestas tiragens.

Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os lírios do campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

11. Menino do Mato – Manoel de Barros

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Um dos últimos livros escritos por Manoel de Barros, Menino do mato sintetiza com perfeição suas aspirações e seu estilo. Esse menino, que é a consciência do poeta, deseja apreender o mundo sem explicações ou propósitos. Na primeira das duas partes que compõem esta obra, Manoel reforça sua instintiva ligação com a natureza e a infância. Em sua procura por “palavras abençoadas pela inocência”, o poeta busca o universo em seu estado primordial. A segunda parte, “Caderno de aprendiz”, evidencia a absoluta liberdade de sua linguagem. Aqui, as palavras deixam de nomear para nos fazer simplesmente sentir a pureza dos primeiros tempos de nossas vidas.

12. Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva 

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Feliz ano velho é o primeiro livro de Marcelo Rubens Paiva. Aos vinte anos, ele sobe em uma pedra e mergulha numa lagoa imitando o Tio Patinhas. A lagoa é rasa, ele esmigalha uma vértebra e perde os movimentos do corpo. Escrito com sentido de urgência, o livro relata as mudanças irreversíveis na vida do garoto a partir do acidente. Ele é transferido de um hospital a outro, enfrenta médicos reticentes, luta para conquistar pequenas reações do corpo. Aos poucos, se dá conta de sua nova realidade, irreversível. E entende que é preciso lutar. O texto expressa a irreverência e a determinação da juventude, mesmo na adversidade, e a compreensão precoce “de que o futuro é uma quantidade infinita de incertezas”.

13. Razão e Sensibilidade – Jane Austen

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Originalmente publicado em 1811 sob o singelo pseudônimo “A Lady”, Razão e sensibilidade começou a ser escrito na década de 1790, quando Jane Austen (1775-1817) mal havia completado vinte anos. O livro é o primeiro da série de quatro romances que Austen publicou como edição do autor em seus últimos anos de vida. Todos se tornaram clássicos da literatura inglesa do século XIX.

Embora sua trama se desenvolva durante uma época de guerra e revolução no continente europeu, o romance concentra sua narrativa nas idílicas tramas de amor e desilusão em que duas belas irmãs inglesas se envolvem – Elinor e Marianne Dashwood – quando chega a idade do casamento. À procura do amor verdadeiro, as filhas órfãs de uma família pertencente à pequena nobreza enfrentam o mundo repleto de interesses e intrigas da alta aristocracia. Marianne e Elinor representam polos opostos do universo ético de Austen: Marianne é romântica, musical e dada a rompantes de espontaneidade, ao passo que Elinor é a encarnação da prudência e do decoro.

14. A Louca da Casa – Rosa Montero

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Em A louca da casa, Rosa Montero propõe aos leitores um jogo narrativo cheio de surpresas. Nele se misturam literatura e vida, num coquetel estimulante de biografias e autobiografia romanceada. E assim descobrimos que o grande Goethe adulava os poderosos até chegar ao ridículo, que Tolstói era um energúmeno, que Rosa, quando criança, via-se como uma anã e que, aos 23 anos, manteve um extravagante e hilário romance com um ator famoso.
Mas não devemos confiar em tudo o que a autora conta sobre si mesma: as lembranças nem sempre são o que parecem. Este é, afinal, um livro sobre a fantasia e os sonhos, a loucura e a paixão, os medos e as dúvidas dos escritores, mas também dos leitores. A louca da casa é, antes de mais nada, a tórrida história de amor e de salvação entre Rosa Montero e seu imaginário.


13669841_1065479670210774_2813423822097175427_nAutora: Suellen Lima. Formada em Letras é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !

O Clube dos Clubes | A Leitura salvou a minha vida

Oie leitores! Esse blog é sobre vivências literárias e eu não poderia deixar de falar sobre como tudo começou. Tudo o quê? Aguarde e confie…

Fiz o curso de Letras com a pretensão de ser professora da matéria que eu mais gostava na escola, literatura. Claro que 5 anos depois muita coisa mudou. Desde o começo não sabia para que lado pender: Linguística ou Literatura? Era preciso começar a participar de grupos de pesquisa, ter um objeto de estudo, pensar no mestrado…

Terminei o curso angustiada, não sei por qual razão ter o título de mestre perdeu a graça. Depois, foi perdendo o sentido estar associada a grupos de pesquisa, ter projeto, objeto de estudo, fontes, bibliografia, metodologia, linha de pesquisa, dar aula etc etc…

Não era raro chegarem aos meus ouvidos conversas escabrosas sobre picuinhas, mesquinharias e disputas de poder entre os colegas de curso e até mesmo entre os próprios professores, que se vistos em diálogo contribuiriam muito mais para as suas áreas. Entendi com o tempo que quem deveria fazer as ligações entre a abordagem de um professor e outra era eu mesma, mas já estava cansada e a atmosfera ficou pesada demais para o meu senso de coletividade. Antes de entrar em uma pós-graduação eu já estava com depressão.

Foi aí que a Leitura entrou na minha vida!

A convite de uma amiga muito especial, comecei a frequentar o Clube de Leitura Leia Mulheres daqui de Fortaleza. De repente aquilo que antes era visto como “xoxotismo” por alguns, se tornou Feminismo. A Literatura começou a se tornar cada vez mais significativa e entrelaçada com minha experiência de ser mulher, foi um caminho sem volta.

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https://leiamulheres.com.br/

Ao mesmo tempo em que começava a frequentar livrarias e cafés, fui conhecendo gente nova e colhendo mais vivências dos outros com a literatura. Até minha cidade passou a se revelar mais leitora com uma quantidade imensa de Clubes de Leitura que existiam sem eu saber!

Quando comecei a frequentar o clube, tinha medo de falar, tinha medo de parecer acadêmica demais, de calar as pessoas com o que elas achavam que eu deveria saber…. Mas tinha tanta coisa guardada, tanta coisa para falar aqui dentro, que ultrapassava essa coisa de ser “conhecedora” do assunto. Eu queria mesmo era dialogar, ler coisas novas, conhecer pessoas de áreas diferentes, mas que conservavam a mesma paixão que a minha.

Foi assim que caí no grupo Escambanautas (https://www.facebook.com/groups/cambanautas/) e no Escambau (http://escambau.org/). Acolhedor é pouco para falar sobre esse coletivo de cultura pop, geek, literatura e o Escambau, que abriu os braços para me receber enquanto eu tentava abrir minha mente para um monte de coisas novas.

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https://www.padrim.com.br/escambau

De lá nasceu a oportunidade de ser mediadora do Escambaclube – Clube de Leitura do Escambau. A cada encontro mais e mais me surpreendo com a galera que quer ler para escrever, refletir, falar mal, se emocionar, enfim, trocar impressões de leitura.

Depois veio a TAG – Experiências Literárias (http://www.taglivros.com/). Creio que a caixinha surpresa concentra hoje o maior clube de leitura do Brasil, com um número exorbitante de associados que recebem em suas casas muito mais do que um exemplar de livro. Recebemos, na verdade, uma vivência transmitida por um curador, juntamente com objetos que ampliam a experiência literária (por favor, não entenda como brinde), além de uma revista que nos ajuda a rememorar o que tem de interessante em cada livro do mês.

http://www.taglivros.com/
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Pensando ainda em coletividade, chamei umas amigas para o Clube de Leitoras Jane Austen. Esse clube nasceu aqui de umas caraminholas na minha cabeça, pois, apesar de assistir todas as adaptações das obras dessa escritora inglesa, ainda não tinha lido mais nada além de Orgulho e Preconceito. Nosso encontro ainda vai acontecer no dia 23 de outubro, aqui em casa, com bolo e café, é claro. E sabendo do poder terapêutico da literatura, inventei de dividirmos um diário de leitura, em que vamos escrever tudo o que sentimos e pensamos umas para as outras numa espécie de rodízio – tomara que o caderno resista às lágrimas. Só amor!

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Tem mais?

Tem sim… Além dos canais que acompanho no youtube, Ler Antes de Morrer e Literature-se, descobri as potencialidades do aplicativo Amino Livros. Lá encontrei outros tipos de leitores que, sem nem se conhecerem, trocam indicações de leitura, formam clubes, grupos de discussão, trocam resenhas, vídeos… um mundo de coisas. Imagine uma mistura de WhatsApp, Instagram, Sckoob e Facebook… agora adicione aí leitores, pronto, isso aí é o Amino Livros.

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.narvii.amino.x208052164&hl=pt_BR

Como esse post está grande, por isso deixei O Clube dos Clubes para o final…

Este clube de leitura que eu tenho comigo mesma é especial, pois é com ele que entro nos eixos, que recupero minhas forças, que consigo levantar todas as manhãs para trabalhar revisando textos e auxiliando escritores. Nele, reflito as leituras da vida, das pessoas, das situações. Todo o resultado dele está aqui no Leituresca.com. Podem entrar, sejam bem-vindos sempre!

 

Imagem de: Jonathan Wolstenholme


13669841_1065479670210774_2813423822097175427_nAutora: Suellen Lima. Formada em Letras é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Também é colunista, editora e revisora do portal escambau.org . Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !

As vozes de “As Meninas” | Lygia Fagundes Telles

Em “As Meninas”, Lygia Fagundes Telles nos presenteia com a história de três moças universitárias, Lorena, Lia e Ana Clara que, apesar de serem bastante diferentes umas das outras, mantêm uma intensa amizade.

O romance, publicado em 1973, período auge da repressão na Ditadura Militar, tem como plano de fundo a contemporaneidade do governo ditatorial e, embora não aborde o tema em toda a sua complexidade, é parte fundamental da relação das meninas. O contexto é tão presente e tão bem costurado à trama que dificilmente as diferenças entre as personagens teriam o mesmo peso ou destaque caso o momento histórico fosse mero acessório.

Outro ponto forte do livro é a escolha da narração. O enredo em si não possui muitas ações e reviravoltas, pois trata-se de um livro de imersão profunda nas relações e na psicologia das personagens.

E qual seria a melhor maneira de conhecermos essas meninas se não for por elas mesmas? Sim. Lorena, Lia e Ana Clara são personagens narradoras e quase não vemos marcas de um narrador onisciente agarrando as rédeas da história.

Por meio de um jogo polifônico, em que as vozes das três meninas se confundem, temos acesso à singularidade de cada uma delas. Convivemos com suas contradições, anseios e expectativas, ou seja, passamos a ouvi-las e conhecê-las de tal forma que se cria a ilusão de que suas existências sejam reais. Para melhor entendermos esse aspecto da linguagem, seguem as palavras de Paulo Bezerra:

“O que caracteriza a polifonia é a posição do autor como regente do grande coro de vozes que participam do processo dialógico. Mas esse regente é dotado de um ativismo especial, rege vozes que ele cria ou recria, mas deixa que se manifestem com autonomia e revelem no homem um outro […]”. – Paulo Bezerra

Em um período de amordaçamento, repressão e censura, dar voz autêntica a três mulheres de classes sociais e trajetórias diferentes faz todo o sentido, pois, a polifonia permite que as meninas, por meio do diálogo e da intersecção de suas vozes, tenham autoconsciência de si mesmas e passem a agir como sujeitos da própria história de vida que é também política.

“A posição da qual se narra e se constrói a representação ou se comunica algo deve nortear-se em face de sujeitos isônomos, investidos de plenos direitos, um mundo de consciências individuais caracterizadas por forte grau de autonomia e vida própria, pois a consciência do autor não transforma a própria consciência dos outros – das personagens – em objetos de sua própria consciência e de seu próprio discurso, não conclui essas consciências porque não as concebe como entidades estáticas e sim como marca identitária do indivíduo. […] Não podemos “espiar o indivíduo, ouvir às escondidas suas conversas”, assim como não podemos “predeterminar suas confissões”, pois se assim procedêssemos estaríamos cometendo uma violência contra as personagens e violando seu estatuto de independência no convívio polifônico.” – Paulo Bezerra

As consonâncias presentes no livro trazem à tona as crises sociais das instituições mais caras ao período: a Família e a Juventude. Na contramão do projeto do regime em conservar a família tradicional brasileira e a juventude sob os preceitos morais e cívicos, a obra aborda o rearranjo das famílias após o divórcio, assim como a maternidade sem o casamento. A juventude, representada pelas moças universitárias, é também contrária ao Estado quando são abordadas a questão do uso de drogas, da homossexualidade e da liberdade sexual.

Outra consonância é a relação das meninas com o catolicismo, o que mostra um pouco a variação do papel da Igreja na Ditadura Militar. As três moram em um pensionato de freiras progressistas, que ao lado delas compõem um quadro complexo da realidade do período, apresentando percepções sobre virgindade, sexo, desejo, pecado etc. Na época, freiras e padres progressistas, ou seja, contrários ao regime e normalmente de esquerda, se contrapunham a grupos católicos conservadores que endossavam o projeto político-moral de manter a família e a juventude sob os moldes tradicionais.

Entre tantos gritos, vale a pena o desafio de ler, ou melhor, ouvir o que essas três meninas têm a dizer. Em alguns momentos a leitura pode ficar difícil, não se nega, mas basta o leitor pensar na proposta do diálogo e da alteridade, tão necessárias ao nosso período político, que mudará de ideia e seguirá adiante.

Boa leitura!

Para você ter uma melhor clareza dos conceitos de Polifonia e Dialogismo ver:

BEZERRA, Paulo. Polifonia. In: BRAIT, Beth (org). Bakhtin: conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2010.

Compre o livro na Amazon pelo link e ajude o blog! sem-titulo-4

Link “As Meninas” : https://goo.gl/BzC5dH

Link “Bakhtin: conceitos-chave”: https://goo.gl/reurQP

 


13669841_1065479670210774_2813423822097175427_nAutora: Suellen Lima. Formada em Letras é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Também é colunista, editora e revisora do portal escambau.org . Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !