Menino do Mato, de Manoel de Barros, um verdadeiro folhear da infância

Menino do Mato, de Manoel de Barros, nos promove um folhear com cheiro, cores e formas de infância.

A felicidade às vezes vem em palavras e que palavras! Ganhei o livro Menino do Mato de presente de uma amiga muito especial que me garantiu a leitura fácil, simples e ao mesmo tempo profunda (palavras dela) da poesia de Manoel de Barros.

Menino do mato Manoel de Barros

De fato, li esse livro em uma sentada só, mas os efeitos ainda permaneceram durante toda semana e, muitas vezes, folheei o livro depois, atrás de decorar alguns versos. Quando encontramos certa magia voltamos lá muitas vezes, não é? Eu volto e ainda os convido para mais uma visita como podem ler aqui.

Menino do Mato é mesmo uma leitura rápida, mas até a simplicidade da poesia de Manoel de Barros não impediu que o meu olhar se demorasse em alguns poemas, enquanto refletia a infância, a imaginação, a inventividade, a inocência de uma criança, principalmente, a da minha criança (sim, eu mesma).

Esse livro carrega uma proposta: ver e sentir a vida tal qual uma criança que se depara com as novidades do mundo e da natureza. É possível sentir o gosto da liberdade, da inquietação com a ordem das coisas e também do sentimento primário de descobrir-conhecer-explicar.

A gente gostava das palavras quando elas perturbavam
o sentido normal das ideias.
Porque a gente também sabia que só os absurdos
enriquecem a poesia.

 

Por essa inquietação infantil e esse sentimento primário de conhecer, aprendemos a (des)ver o mundo, ou seja, re-significar tudo que está a nossa volta. Aqui, o canto dos pássaros, o rio, as pedras e as formigas são motes poéticos de rearranjo da realidade. Não é mais um pássaro qualquer, uma pedra qualquer, um rio qualquer… não, em Menino do Mato tudo ganha força de ser único e de ser terreno descoberto.

O pai achava que a gente queria desver o mundo
para encontrar nas palavras novas coisas de ver
assim: eu via a manhã pousada sobre as margens do
rio do mesmo modo que uma garça aberta na solidão
de uma pedra.

 

Imagine que tudo que está a sua volta seja uma tela branca e sem contorno. Agora imagine que você, menino ou menina da cidade, pode finalmente colorir o que está ao seu redor do jeitinho que você quer. As cores, os cheiros, as formas e os sons vão surgindo sob o domínio da sua imaginação, a partir da sua vontade de criar coisas novas. Por estar diante de novidades, você se vê inocente, criador e descobridor ao mesmo tempo.

A infância da palavra já vem com o primitivismo
das origens.

Nos dias de hoje, em que o tempo nos engole, a rotina nos atropela e as redes sociais nos absorvem, podemos ainda tirar cinco minutos da correria e mergulhar na poesia da inocência de Manoel de Barros. Percorrer os rumos da memória da infância, refletir sobre as primeiras descobertas de criança e, quem sabe, quando a leitura acabar (des)enxergar a realidade sufocante, ainda que um mergulho mais profundo seja necessário.

Adieu.

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Gostou dessa resenha? Conte o que achou nos comentários, ou quem sabe deixe sua própria impressão do livro ou da poesia desse autor tão querido.

13669841_1065479670210774_2813423822097175427_nAutora: Suellen Lima. Formada em Letras é escritora amadora, trabalha com revisão de textos e consultoria literária. Simplesmente amante da literatura no blog leituresca.com !

3 comentários em “Menino do Mato, de Manoel de Barros, um verdadeiro folhear da infância

  1. Os poemas de Manoel de Barros são todos assim: leves, mas com uma simplicidade que nos toca a alma e deixa marcas de saudade. É uma poesia que transita entre o dito e o não-dito, ou, como o próprio afirma no belíssimo “Apanhados de desperdícios”, ele só usava a palavra para compor os seus silêncios.

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